CapaCorte CentesimalNossa História

Pioneirismo e tradição

A história do Corte Centesimal começou há muito tempo, mais precisamente, em Andrelândia, no sul de Minas Gerais. Em 1933, a dona de casa Carmen de Andrade Mello Silva, uma mineira da cidade de Lavras (MG), chegou a Andrelândia, acompanhando o marido, o engenheiro Antônio de Mello Silva, que havia sido designado para acompanhar as obras da Usina de Carlos Euler.

Ativa, inteligente e preparada, dona Carmen seguia o destino das mães das famílias tradicionais da época. Acompanhava o marido nas mudanças determinadas pelo trabalho. Como dona de casa, era muito dedicada e cuidava de tudo com muito esmero.

Exímia pianista, de aprimorada formação, tinha a música como distração em momentos de cada dia, além dos cuidados com a família e com a administração da casa. Passou a costurar roupas que seriam utilizadas pelas quatro crianças para as atividades da escola, para as visitas aos amigos, para brincar na rua e para ir às missas.

A necessidade de costurar para os quatro filhos e as dificuldades que encontrava nessa tarefa foram levando dona Carmen a adotar o hábito de fazer anotações em fichas para auxiliar a memória. Com o tempo, foram sendo acumuladas inúmeras fichas com desenhos, observações e deduções que permitiram à dona de casa aprimorar suas atividades. Não havia qualquer pretensão além da que qualquer mãe tem, quando se dedica à família. Havia, porém, o objetivo de suprimir as provas das roupas, coisa que os filhos tinham horror.

A competência na confecção das roupas traçou o destino. As amigas sempre pediam os moldes para repetir. A vontade de ajudar levou Carmen a encontrar uma maneira prática de indicar como fazer o traçado de um determinado molde de modo a atender os diversos pedidos e as diversas idades das crianças e também de adultos.

Qual a proporção existente entre algumas medidas" era um dos questionamentos feitos por ela, sem qualquer pretensão, e que resultaram em moldes bastante exatos. Pessoas próximas insistiam que ela passasse para de seus conhecimentos para outras senhoras que viviam a mesma necessidade de aprender a costurar. Com o auxílio do marido engenheiro, ela criou o sistema de Escalas, resultado de suas anotações sobre as medidas do corpo humano.

Para generalizar as indicações das medidas tomadas em volta do corpo, ele dividiu cada medida por 100, com a representação em escalas. Intitula-se, portanto, "Centesimal", porque as principais medidas para o traçado dos moldes foram divididas em 100 partes iguais.

Surgiram então, as Escalas Centesimal, como representações de medidas do corpo. Essas “Escalas” são pequenas réguas que vão de 30 até 140 centímetros. Assim, ela batizou esse método de modelagem de roupas de “Método de Corte Centesimal.” Isso começou em 1934, quando dona Carmen ia transmitindo seu sistema de graça para suas amigas, ensinando pacientemente a leitura das suas anotações e fichas. Ou seja, mostrava para cada uma como interpretar os seus traçados.

O casal criador do Método de Corte Centesimal

Depois de Andrelândia, veio a mudança para Barra Mansa, no Estado do Rio de Janeiro e, posteriormente, para Belo Horizonte, em Minas Gerais, e assim, a cada mudança, o Método de Corte Centesimal foi se propagando, aos pouquinhos. Os pedidos dos livros foram só aumentando.

E em 1937 foi feita a primeira cópia heliográfica. Após alguns anos, ela tinha registrado cerca de mil nomes de pessoas que foram suas alunas. O interesse pelo sistema acabou exigindo a formalização de uma empresa para a produção do material de ensino e administração da contabilidade, que já antes, era rigorosamente controlada.

                                                     

Da esquerda para direita: Carmen, a segunda pessoa sentada, e suas alunas na antiga sala de aula no Edifício Helena Passig, em Belo Horizonte, MG. Década de 50.

 

Assim, em janeiro de 1952, Carmen e o marido Antônio fundaram a empresa “Corte Centesimal Ltda.” Novas professoras e alunas se juntaram ao exército de pessoas que se encarregava de disseminar o método por todo país.

Antigas carteirinhas das instrutoras credenciadas do Corte Centesimal

Durante anos, o escritório do Corte Centesimal em Belo Horizonte foi no Edifício Helena Passig, na Rua Rio de Janeiro, no centro da capital mineira. Em 2004, a empresa seu escritório para Mateus Leme, interior de Minas Gerais. Porém, todo o atendimento passou a ser feito exclusivamente pela internet e pelo telefone. 

 

Os antigos estojos de madeira do Método de Corte Centesimal

 

                                               Na imagem um estojo de madeira da década de 50

Até o início da década de 70, o material do Método de Corte Centesimal era vendido em estojos de madeira, fabricados pela própria empresa, que possuía uma marcenaria. Dentro do estojo havia as fichas do Método, num formato de livreto, conjunto de Escalas, um par de Esquadro e Curva, além do porta escalas. Os outros espaços do estojo serviam para colocar giz, alfinetes, e outros apetrechos utilizados na confecção dos moldes.

As coleções eram todas numerados, datadas e assinadas, uma a uma, por dona Carmen. Já os desenhos dos moldes nos livros eram coloridos com aquarela, também um por um, pelas filhas pequenas: Dora e Júnia.

 

Esses estojos faziam parte das famílias mineiras e de outras famílias pelo Brasil. Naquela época, era costume as moças saberem costurar e muitas famílias, tinham em casa, a sua própria modelista, que era responsável em costurar para todos. Assim, várias histórias foram nascendo desses costumes. Os estojos foram aposentados em virtude das mudanças e da evolução da sociedade.

 

Hoje, são considerados uma relíquia e quem tem os guarda com todo carinho. Para muitas famílias, esses estojos preservam muito mais do que apenas escalas, alfinetes e desenhos. Eles guardam também sentimentos, lembranças e saudades de um tempo que já passou. São recordações gostosas e que ajudaram a formar a história da moda no Brasil.

 

Linha do Tempo

1934 – Método de Corte Centesimal – Criação do Método

1936 - Primeira cópia heliográfica do Método de Corte Centesimal

1968 – Sistema Moldecópia

1972 - Livro a Costura e Seus Segredinhos

1993 – Livro das Malhas

1982– Informe da Moda

Década de 80– Sistema Moldecópia de Qualificação Profissional SM Quali

Década de 80– Molde.Série

Década de 80– Molde Pronto.Centesimal

 

O êxito do Corte Centesimal

Diferentes edições do Método de Corte Centesimal

Com o uso das Escalas Centesimal fica tudo mais simples, pois são eliminados cálculos aritméticos e tabelas. As proporções são mantidas automaticamente. Basta que se aprenda a “ler os desenhos”, se familiarize com as convenções adotadas, para ficar apta a realizar os traçados apresentados nos livros do Corte Centesimal. Os livros apresentam os mais variados traçados para roupas femininas e masculinas, adultos e crianças.

Em agosto de 2012, foi lançado a 50ª edição revisada do livro do Método de Corte Centesimal e a sétima edição do Sistema Moldecópia. As novas publicações explicam passo a passo, com desenhos, como construir os moldes, de uma forma mais clara e fácil, dando assim, mais autonomia para a modelista.

O Corte Centesimal não parou no tempo. Ao longo desses anos foram mais de 500 mil livros vendidos do Método de Corte Centesimal, o que comprova a eficácia do método e diz muito em relação à sua aceitação, ao seu sucesso: significa que quatro gerações de usuários tem prestigiado nosso método de modelagem de roupas.

A partir daí, o Corte Centesimal criou família, gerando produtos funcionais e dinâmicos para atender aos mais diversos aspectos da modelagem do vestuário.

 

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